Estão abertas as inscrições para o seminário “Mortos e a Câmera” do forumdoc.bh.2019.

Todas as atividades são gratuitas e acontecem no Cine Humberto Mauro, no Palácio das Artes. O seminário terá carga horária de 8h e os participantes receberão um certificado ao final do evento (garantido mediante participação em 60% das atividades). 

Confira a programação completa abaixo e inscreva-se pelo site:
www.forumdoc.org.br

:: 25 a 27 de novembro :: belo horizonte :: minas gerais :: brasil ::
A mostra “Mortos e a Câmera” será acompanhada de um seminário, no Cine Humberto Mauro (Palácio das Artes-MG), que pretende abordar as conexões parciais entre memória, necropolíticas, cosmojustiças e cinema, antropologia, performance e arte.
A intenção do seminário é se alinhar à proposta de Michael Gillespie a partir da formulação “cinema na vigília” (cinema in the wake), na esteira de Christina Sharpe, bem como ao chamado de Claudia Rankine, de modo a expandi-los para territórios não explorados por esses autores. 
O fato de a existência de pessoas negras, mulheres, indígenas e lgbtqi, entre outros, ser uma existência na vigília (existence on the wake), marcada pela escravidão e pelos genocídios, faz toda a diferença para pensarmos os modos como lidamos com a vigília de nossos mortos, em especial quando utilizamos mediações políticas e artísticas, raramente acadêmicas, para fazer esse percurso obrigatório de ir e voltar do encontro com nossos mortos. 

Vale ainda esclarecer que, para Sharpe, o modo de “existência na vigília” e o “trabalho de vigília” (wake work) são entendidos como formas de consciência/conhecimento (consciousness). Sobre o “trabalho de vigília”, Sharpe resume: “Se, como sugeri até agora, pensamos na metáfora da vigília em todos os seus significados (vigiar os mortos, o caminho de um navio, uma consequência de algo, na linha de voo e/ou visão, despertar e consciência) e se juntamos a vigília ao trabalho, a fim de fazer da nossa vigília e trabalho de vigília nossa analítica, podemos continuar imaginando novas maneiras de fazer vigília na vigília da escravidão, nas vidas após a escravidão (slavery’s afterlives), para sobreviver (e mais) a vida após a morte da propriedade. Em resumo, quero dizer que o fio do trabalho de vigília é um modo de habitar e romper essa episteme com nossos conhecimentos vividos e vidas in/imagináveis. Com essa análise, podemos imaginar o contrário do que sabemos agora na vigília da escravidão”.

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PROGRAMAÇÃO:
25 de novembro, 17h (segunda-feira)

ABERTURA

Apresentação: Paulo Maia

Conferência: Leda Maria Martins

26 de novembro, 15h (terça-feira)

MESA 1: TRABALHO DE VIGÍLIA | WAKE WORK

Com: Denilson Baniwa, Castiel Vitorino, Davi de Jesus do Nascimento e Célia Xakriabá Mediação: Roberto Romero

27 de novembro, 15h (quarta-feira) 

MESA 2: CINEMA NA VIGÍLIA | CINEMA IN THE WAKE

Com: Tatiana Carvalho Costa, André Brasil, Fabio Rodrigues Filho e Ademilson Concianza

Mediação: Carla Italiano

Endereço

Av. Afonso Pena, 1537 – Centro, Belo Horizonte – MG

Cine Humberto Mauro – Palácio das Artes 

Mini-currículos:

Ademilson Concianza é indígena do povo Guarani Kaiowá e membro da Associação Cultural de Realizadores Indígenas (ASCURI). Estudou Montagem na Escola de Cinema Darcy Ribeiro, no Rio de Janeiro. 

André Brasil é professor do Departamento de Comunicação da Universidade Federal de Minas Gerais, integra o corpo docente permanente do Programa de Pós-Graduação. Pesquisador do CNPq, participa do Grupo Poéticas da Experiência (CNPq/UFMG) e da equipe de editores da Revista Devires – Cinema e Humanidades. Atualmente, integra o Comitê Pedagógico de Formação Transversal em Saberes Tradicionais na UFMG. Desenvolve pesquisas no domínio do cinema e do cinema documentário, com atenção à produção de filmes por diretores e coletivos indígenas.

Castiel Vitorino Brasileiro é artista, graduanda em Psicologia na Universidade Federal do Espírito Santo. Pesquisa e inventa relações em que corpos não-humanos se desprendem das amarras da colonialidade. Compreende a macumbaria como um jeito de corpo necessário para que a fuga aconteça. Dribla, incorpora e mergulha na diáspora Bantu e assume a vida como um lugar perecível de liberdade.

Célia Xakriabá é ativista indígena do povo Xakriabá, de Minas Gerais. Graduou-se pela primeira turma de Educação Indígena da Universidade Federal de Minas Gerais e mais tarde obteve um mestrado em Educação na Universidade de Brasília. Primeira mestre de seu povo, atualmente cursa o doutorado em Antropologia na UFMG.

Davi de Jesus do Nascimento é artista plástico, performer e poeta barranqueiro. Gerado às margens do rio São Francisco, curso d’água de sua pesquisa, Davi trabalha coletando afetos da ancestralidade ribeirinha e percebendo “quase-rios” no árido. Na fotografia, utiliza o corpo como instrumento de medida do mundo. Corpo-médium, confrontado e confundido com a natureza. Uma natureza aquática, barrenta e silenciosa, que pode ser lida como isca, peixe e pedra.

Denilson Baniwa nasceu na aldeia Darí, no Rio Negro, Amazonas. Sua trajetória como artista inicia-se a partir das referências culturais de seu povo já na infância. Na juventude, o artista inicia a sua trajetória na luta pelos direitos dos povos indígenas e transita pelo universo não- indígena aprendendo referenciais que fortaleceriam o palco dessa resistência. O artista em sua trajetória contemporânea consolida-se como referência, rompendo paradigmas e abrindo caminhos ao protagonismo dos indígenas no território nacional.

Fabio Rodrigues Filho é mestrando em Comunicação na Universidade Federal de Minas Gerais e graduado no mesmo curso na Universidade Federal do Recôncavo Bahiano. Realizador do filme-ensaio Tudo que é apertado rasga (2019). Cineclubista, coordenou o Cineclube Mário Gusmão, participou do Cine Tela Preta e do Cinema em Vizinhança. Escreve para revistas, catálogos, e para o blog pessoal Tocar o Cinema. Integra o Fórum Itinerante de Curadoria (FIC), membro do Áfricas nas Artes e do Poéticas da Experiência. Compôs comissões de seleção de festivais, mostras e laboratórios de filmes (como CachoeiraDoc, Festival Mimoso, DiásporaLab, etc.).

Leda Maria Martins é rainha da Irmandade de Nossa Senhora do Jatobá, poeta e ensaísta. Pós-Doutorado em Performance Studies, New York University, Tisch School of the Arts; Pós-Doutorado em Rito, Dramaturgia e Teatralidade, Universidade Federal Fluminense. É professora associada da Universidade Federal de Minas Gerais. Em 2017 foi homenageada com a criação do Prêmio Leda Maria Martins de Artes Cênicas Negras. 

Tatiana Carvalho Costa é doutoranda e mestre em Comunicação Social pela Universidade Federal de Minas Gerais. Fez direção e roteiro para a série Gênero e Diversidade na Escola e a direção de curtas metragens não ficcionais: TransHomemTrans, Muito Prazer: Travestis e Transexuais de Juiz de Fora, Memorial Travestis e Transexuais de BH. Dirigiu os curtas O Ciclone Lento e Sutil (2001), Oficina de Agosto, Pensamentos do Toti e Zezim. Seu curta-metragem Las cartas de la plaza de Santo Domingo foi o projeto vencedor da seleção DOCSDF (México) em parceria com SAV/MinC (Brasil) em setembro de 2009 e recebeu Menção Especial do Júri na 4ª Edição deste festival. Atualmente, coordena os projetos de extensão universitária “Viver Ciências” e “Pretança” no Centro Universitário UNA. É integrante do movimento Segunda Preta. 

Mediações:

Paulo Maia possui graduação em Ciências Sociais pela Universidade Federal de Minas Gerais (1999), doutorado em Antropologia Social pelo PPGAS – Museu Nacional da Universidade Federal do Rio de Janeiro (2009) e estágio pós-doutoral (2018) no Performance Department e Hemispheric Institute of Performance and Politics da New York University. Atualmente é professor associado e coordenador do Curso de Formação Intercultural para Educadores Indígenas (FIEI) na Faculdade de Educação (FaE-UFMG). Tem experiência na área de antropologia, com ênfase em Etnologia Sul Americana e Educação Indígena, tendo realizado pesquisa de campo com os Baré (alto rio Negro). Também é um dos idealizadores do forumdoc.bh – Festival do Filme Documentário e Etnográfico de Belo Horizonte.

Roberto Romero é etnólogo, doutorando em Antropologia Social pelo Museu Nacional (UFRJ) e membro do Núcleo de Antropologia Simétrica (NanSi). Desenvolve pesquisa entre os Tikmũ’ũn (Maxakali) sobre os temas dos sonhos, das armadilhas, da doença e da cura. Desde 2009 é um dos organizadores do forumdoc.bh – Festival do Filme Documentário e Etnográfico de Belo Horizonte. 

Carla Italiano trabalha com pesquisa e curadoria em cinema. É doutoranda em Comunicação Social pelo PPGCOM-UFMG, com mestrado pela mesma instituição e graduação em Cinema pela UFSC. Desde 2011 integra a Associação Filmes de Quintal e a equipe do forumdoc.bh. Foi co-curadora da Retrospectiva Helena Solberg (CCBB RJ/SP/DF, 2018) e outras, compondo a seleção do festival Olhar de Cinema de Curitiba (2017-2019). É natural do Recife e residente em Belo Horizonte.