Release: forumdoc.bh.2013

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Sinopse / Synopsis

FORUMDOC.BH 2013

 

17º FESTIVAL DO FILME DOCUMENTÁRIO E ETNOGRÁFICO DE BELO HORIZONTE

21 DE NOVEMBRO A 1º DE DEZEMBRO

CINE HUMBERTO MAURO | CINE 104 |CAMPUS DA UFMG

 

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17º forumdoc.bh anuncia programação

De estreias a obras fundamentais, festival dá relevo a produções que vão dos consagrados Aloysio Raulino e Jonas Mekas, aos recentes movimentos de midialivrismo, destaque nas recentes manifestações brasileiras

 

 

Seguindo seu tradicional escopo (exibir, debater e colocar em evidência produções que abordam as mais diversas perspectivas, sejam elas locais ou estrangeiras), o forumdoc.bh está de volta à capital mineira. Realizado pela Filmes de Quintal, o festival  promove sua 17ª edição consecutiva entre 21 de novembro e 1º de dezembro, sempre com sessões gratuitas, no Cine Humberto Mauro, Cine 104 e Campus da UFMG.

 

Como filmar o inimigo? A questão levantada pelo teórico e cineasta francês Jean Louis Comolli, que dialoga tão bem com os recentes movimentos de midialivrismo no Brasil, será um dos assuntos discutidos no forumdoc, que mais uma vez oferece um panorama extenso, consistente e diverso do cinema documental e etnográfico. Mais de 80 filmes serão exibidos, desde produções contemporâneas, presentes nas Mostras Competitivas Nacional e Internacional, a obras fundamentais para o cinema de não-ficção, que compõem as mostras retrospectivas. Nesta edição, as retrospectivas apresentam obras do cineasta lituano, radicado nos EUA, Jonas Mekas, e um conjunto dos filmes do brasileiro Aloysio Raulino, falecido em abril deste ano.

 

Homenagem | A abertura do festival, que ocorre no Cinema Humberto Mauro, no dia 21, às 19 horas, presta tributo a Raulino, e sua trajetória no cinema, exibindo quatro de seus curtas: Lacrimosa (1970), Teremos Infância (1974), Arrasta a Bandeira Colorida (1970) e O Tigre e a Gazela (1976). Na sequência da exibição, o crítico Jean Claude Bernardet (parceiro histórico do cineasta) conduz sessão comentada dos filmes, que conta ainda com a participação de Gustavo Raulino e Otávio Savietto (filhos do diretor), além de Andréa Scansani (aluna e fotógrafa de diversos filmes de Aloysio Raulino).

 

Outro ponto de relevo do 17º forumdoc.bh são as estreias que o festival preparou para o público belo-horizontino. Serão exibidos, em primeira mão e com a participação dos realizadores, Já Visto, Jamais Visto, de Andrea Tonacci; Riocorrente, de Paulo Sacramento; Sobre o Abismo, de André Brasil; e filmes de realizadores indígenas da etnia Maxakali, Espíritos Batizam Crianças e Cantos do Putuxop.

 

Segundo Júnia Torres, que integra a coordenação do forumdoc.bh, além de ser uma referência para o audiovisual no Brasil, esse é o festival de cinema com o  maior número de edições já realizadas em Minas. “Nossa intenção é sempre exibir um panorama diversificado de filmes, com um viés autoral, e fazer com que o participante reflita e se aprofunde na trajetória de autores essenciais para o cinema. É uma oportunidade para o espectador se aproximar e conhecer diversas linhas de pensamento e conceitos”.

 

Júnia chama a atenção para a homenagem que o forumdoc presta a Aloysio Raulino. “Havíamos planejado no ano passado a retrospectiva do diretor, cujas obras da década de 70 (parte será exibida na abertura do festival) são inovadoras, e referência até hoje, por terem mudado a forma de se fazer documentário. Com o seu falecimento, consideramos prestar também homenagem e colocar em evidência esse trabalho tão importante para o cinema”.

 

Ela também destaca a importância dos diversos convidados que o festival recebe nesta edição. Cineastas, teóricos, críticos e pesquisadores fundamentais para o pensamento do cinema brasileiro hoje. Jean Claude Bernardet, Ivana Bentes, Ismail Xavier, Paulo Sacramento, Yann Beauvais, Mateus Araújo, Patrícia Mourão são alguns dos nomes que estarão em Belo Horizonte.

 

{Veja a programação detalhada no anexo e no site www.forumdoc.org.br}

 

Abaixo, resumo das mostras que integram a programação do 17º forumdoc.bh:

 

Mostra O Inimigo e a Câmera | Exibição de filmes e debates | Humberto Mauro, Cine 104 e Campus da UFMG

 

Completando o ciclo iniciado com “O Animal e Câmera” (2011) e “A Mulher e a Câmera” (2012), a mostra dá foco à alteridade e sua relação com a imagem. Seu recorte traz distintas maneiras de construir, denunciar e enfrentar o inimigo, discussão central na produção documental ao redor do mundo.

 

De acordo com os curadores Paulo Maia, Ruben Caixeta e Cláudia Mesquita, dialogam com esse conceito filmes como Mato Eles?, de Sérgio Bianchi;  Um Lugar Ao Sol, de Gabriel Mascaro; Como aprendi a superar meu medo e amar Ariel Sharon, de Avi Mograbi; O poder popular, de Patrício Guzman; Ducth – O mestre das forjas do inferno, de Rithy Panh; Teodorico – o imperador do sertão, de Eduardo Coutinho; e Terceiro Milênio, de Jorge Bodansky. (Todos exibidos na mostra).

 

De acordo com os curadores, “O Inimigo e a Câmera” ainda tem uma parte reservada ao audiovisual nas recentes manifestações que, desde junho, tomaram o país, trazendo mudanças tanto no cenário político quanto reforçando o papel da internet e das chamadas novas mídias na construção das notícias, na transmissão de informações e, por que não, na própria construção dos fatos e das manifestações em si. Serão três sessões denominadas “Cinema Contra o Estado”, dedicadas a vídeos selecionados entre os mais de sessenta enviados através de convocatória realizada durante os meses de setembro e outubro, bem como vídeos colhidos na internet pela curadoria da mostra.

Completando esse panorama haverá duas mesas de debate sobre o tema “Filmando o inimigo na rua”, que vão discutir o processo de produção audiovisual que tematiza a questão do inimigo e a mesa “Zonas de enfrentamento no cinema contemporâneo”, que vai promover o encontro entre o cinema indígena, marcado por posições políticas claras e inimigos declarados ameaçando sua própria existência, e o cinema contemporâneo brasileiro. Este último vem demonstrando a necessidade de confrontar seus inimigos e origens, através de algumas armadilhas para a “classe média”.

Convidados | Os debates e sessões comentadas contarão com a participação dos teóricos e professores Ivana Bentes (UFRJ); César Guimarães (UFMG): do realizador Vincent Carelli, cineasta indígena Kamikia Ksedje; Júlia Mariano (Mídia Ninja RJ); Felipe Altenfelder (Mídia Ninja); Marcela Leite (Coletivo Projetação); Paulo Júnior (Coletivo Mariachi RJ); Tiago Barnabé (Maria Objetiva); Raissa Galvão (Mídia Ninja BH); e Marcos Abílio (UFMG).

 

 

Mostra Aloysio Raulino | Exibição de filmes e debates | Humberto Mauro

 

Um dos mais importantes diretores de fotografia do cinema brasileiro, Raulino construiu uma carreira marcante também na direção de filmes, boa parte deles abordando as condições de vida de trabalhadores, migrantes e excluídos sociais. Segundo o curador da mostra, o professor e pesquisador Ewerton Belico, ainda que centrados fortemente no potencial expressivo das imagens, seus filmes não se rendem jamais a uma contemplação distanciada e desengajada do mundo. “Neles, para além da força poética dos registros, a câmera deixa sempre impressa uma margem de conflito, uma área de disputa e de tensão entre aqueles que olham e aqueles que são olhados”.

 

Na mostra serão exibidos os filmes dirigidos pelo próprio Raulino, e o último longa fotografado pelo realizador: Riocorrente, de Paulo Sacramento. Belico destaca alguns títulos: Porto de Santos (1978), Lacrimosa (1970), O Tigre e a Gazela (1976), Jardim Nova Bahia (1971), O Inventário da Rapina (1980) e Celeste (2009).

 

Convidados | O cinema autoral de Aloysio Raulino também será discutido em mesa redonda com a presença do crítico e professor Ismail Xavier, do cineasta Paulo Sacramento e do professor Ewerton Belico.

 

Mostra Jonas Mekas | Exibição de filmes e debates | Humberto Mauro e Cine 104

 

Esta será a primeira mostra retrospectiva dedicada à obra de Mekas, realizada em Belo Horizonte. Considerado um dos mais renomados documentaristas experimentais ainda em atividade, o lituano (que completa 91 anos em dezembro próximo), fez parte da renovação da linguagem documental a partir das décadas de 1960 e 1970, incluindo possibilidades expressivas advindas do cinema de vanguarda, como a autobiografia e uso de material de arquivo pessoal. Foi também figura central na criação de instituições de preservação e distribuição do cinema underground dos EUA, como os Anthology Film Archive e a Filmmakers’ Cooperative, e por escrever por mais de dez anos em uma coluna de cinema da revista Village Voice.

 

O recorte de sua obra exibido no forumdoc.bh (com 10 filmes) privilegia seus principais filmes-diário, como ressaltam as curadoras Carla Italiano e Carla Maia. Dentro da programação elas indicam quatro obras, “fundamentais para pensar a perspectiva de filmar a própria vida”: Walden (1969), Lost, lost, lost (1976), Reminiscências de uma viagem para a Lituânia (1972) e Out-takes from the life of a happy man (2012).

 

Convidados | A mostra conta ainda com mesa de debates e sessão comentada por Yann Beauvais, cineasta e crítico francês, Mateus Araújo, pesquisador e ensaísta; e Patrícia Mourão, pesquisadora e curadora.

 

Competitivas Nacional e Internacional | Exibição de filmes | Humberto Mauro

 

Mapeando a produção documental contemporânea, duas mostras competitivas compõem a programação principal do forumdoc.bh, exibindo filmes documentários finalizados nos dois últimos anos e selecionados por comissão do festival a partir de inscrições. A mostra Competitiva Nacional recebeu 270 filmes inscritos e a Competitiva Internacional recebeu 220 filmes de vários países do mundo. Foram selecionados ao todo 24 filmes que serão exibidos no Cine Humberto Mauro. Foram inscritos documentários realizados em diferentes regiões do Brasil (Mato Grosso, Pernambuco, Ceará, Minas, São Paulo, Rio de Janeiro, Paraná) e de diversos países (França, Portugal, Argentina, Rússia, Alemanha, entre outros).

 

Convidados | As mostras competitivas contam com a presença dos realizadores Rafael Urban, Emílio Domingos, Divino Tserewahu e Ismail Maxacali.

 

 

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