Mostra-seminário Imagens Indígenas do Sul e do Norte: Cinemas yanomami-inuit

A mostra-seminário Imagens Indígenas do Sul e do Norte: Cinemas yanomami-inuit nos convida a lançar um olhar especial sobre as confluências entre as imagens produzidas por estes dois povos originários. Aprofundar a reflexão em torno aos movimentos de apropriação, ressignificação e retomada destas imagens a partir da perspectiva dos povos do Grande Norte - personificada no povo Inuit (Ártico) - e dos povos do Sul - personificada nos Yanomami (Amazônia) - que tem apresentado à comunidade cinematográfica outros modelos de criação e modos de contar suas histórias, levando em conta sua relação com seus territórios, o fazer coletivo, suas tradições e sua relação com o mundo ocidental. Ao mesmo tempo, reflete sobre como o ecocídio e as mudanças climáticas afetam especialmente esses povos.  

O seminário será composto por cinco encontros, entre os dias 14 e 18 de novembro, no Cine Humberto Mauro, Palácio das Artes. 

 As inscrições podem ser feitas via formulário até o dia 13 de novembro. 

 

Segunda-feira - 14 de novembro

14h30 - Seminário: Imagens Indígenas do Sul e do Norte: cinemas yanomami-inuit

Encontro 1: Os cinemas indígenas na Amazônia ou a insurgência cinematográfica indígena:  a experiência do NAX - Núcleo Audiovisual
Xapono (Yanomami).
Com Sergio Yanomami, Daniel Jabra e Paula Berbert
Mediação: Roberto Romero 

Atividade da programação que contará com acessibilidade em LIBRAS.

Terça-feira - 15 de novembro

14h - Seminário: Imagens Indígenas do Sul e do Norte: cinemas yanomami-inuit

Encontro 2: Visões e imaginários Ártico-Amazônia: cinemas inuit-yanomami
Qapirangajuq - Inuit Knowledge and Climate Change (Canadá, 2010, 55', direção: Zacharias Kunuk, Ian Mauro)
Com Nina Vincent, Ruben Caixeta
Mediação: Cora Lima 

Atividade da programação que contará com acessibilidade em LIBRAS.

Quarta-feira - 16 de novembro

14h30 - Seminário: Imagens Indígenas do Sul e do Norte: cinemas yanomami-inuit

Encontro 3: Somos parentes: povos originários e contra-colonização, genocídios, ecocídios, resistências e retomadas
Com Angohó Pataxó, Dogllas Índio Xakriabá, Romário Pataxó, Marciane Ye’kwana, Sergio Yanomami
Mediação: Ana Gomes 

Quinta-feira - 17 de novembro

14h30 - Seminário: Imagens Indígenas do Sul e do Norte: cinemas yanomami-inuit

Encontro 4: Filmar na Amazônia: por que, para que, quem e para quem?
Com Divino Tserewahú, Louise Botkay, Vincent Carelli
Mediação: Renata Otto Diniz 

Sexta-feira - 18 de novembro

14h30 - Seminário: Imagens Indígenas do Sul e do Norte: cinemas yanomami-inuit

Conferência: O sorriso de Nanook e o cinema de Robert Flaherty: 100 anos de Nanook of the North
Com a presença do autor Marco Antônio Gonçalves

Atividade da programação que contará com acessibilidade em LIBRAS.

Currículo

Ana Gomes
Possui doutorado em Educação pela Universidade de Bolonha (1996). Realizou pós-doutorado no PPG Antropologia Social do Museu Nacional - UFRJ (2007-2008); e no Depto. de Antropologia da Univ. St. Andrews (2017). Atualmente é professora titular da Faculdade de Educação da UFMG, com atuação na área de Antropologia e Educação, principalmente nos seguintes temas: educação intercultural indígena; cultura e escolarização; aprendizagem e cultura; etnografia e aprendizagem; cosmopolítica e ecologia de práticas.

Ãngohó Pataxó Hãhãhãe
Cacica da Aldeia Kuturamã, artesã indígena, mestre tradicional e fisioterapeuta xamã pela escola Gaia de Xamanismo. Participou do encontro dos mecanismos para povos indígenas na ONU, em Genebra e ministrou cursos e palestras voltadas à questão ambiental e à luta pelo território.

Cora Lima
Estudante de graduação em Antropologia Social na UFMG com pesquisa nos temas de etnomusicologia e filme etnográfico. Foi curadora e produtora do forumdoc.bh em 2021 e 2022.

Daniel Jabra
Daniel Jabra é graduado em arquitetura e urbanismo e mestre em Antropologia Social pela Universidade Federal de São Carlos. Desde 2016 trabalha junto ao povo Yanomami em iniciativas para a promoção e defesa de seus direitos, assim como para o fortalecimento das escolas indígenas nas comunidades yanomami do rio Marauiá (AM). Atua também nos campos da curadoria e mediação intercultural, atualmente trabalha na produção executiva e no acervo da Galeria Jaider Esbell de Arte Indígena Contemporânea.

Divino Tserewahú Xavante
Divino começou a aprender sobre cinema em 1990, quando a comunidade Xavante de Sangradouro recebeu sua primeira câmera de filmagem (VHS), doada pelo Centro de Trabalho Indigenista (CTI) de São Paulo. Sua primeira atuação profissional na área foi como parte da equipe do Programa de Índio, série de TV realizada na Universidade Federal do Mato Grosso entre 1995 e 1996. Em 1997, Divino participou do primeiro encontro e oficina de formação de cineastas indígenas do Brasil, organizado pelo Vídeo nas Aldeias e realizado no Parque Indígena do Xingu. Já entre 2001 e 2002, por intermédio do Vídeo nas Aldeias, ele conseguiu uma vaga para estudar na Escola Internacional de Cinema de San António de Los Baños, em Cuba, onde se capacitou nas técnicas de edição, roteiro de documentário e ficção, animação, entre outras.

Dogllas Índio Xakriabá
Estudante do curso de Enfermagem na UFMG. É do povo Xakriabá.

Louise Botkay
Louise Botkay estudou na Escola nacional de cinema da França (FEMIS) e filmou em países como Haiti, Congo, Níger, Chad, Holanda, França e Brasil. Filmes selecionados e premiados em festivais como Festival de Oberhausen, Semana dos Realizadores, Fid Marseille, Festival Kinoforum, Rencontres internacionales Paris Berlin, Fespaco, Festival Janela Internacional de Recife. Recebeu o prêmio E-flux na competição internacional do festival de Oberhausen 2016. Seu filme VertièresI II III foi eleito um dos dez melhores filmes de 2015 pela revista Artforum. Em 2016 recebeu uma sessão retrospectiva na Mostra do Filme Livre, um prêmio pela obra e uma retrospectiva de seus filmes que abriram o festival Cachoeira.doc. Em 2018 teve uma sessão Profile com curadoria de Lisette Lagnado no festival internacional de Oberhausen, seu trabalho, Um Filme para Ehuana recebeu prêmio do ministério da cultura do estado da Renânia do Norte-Vestfália – Alemanha e prêmio com menção do Juri no Festival Curtacinema em 2019.

Marciane Ye’kwana
Estudante do curso de Antropologia na UFMG. É do povo Ye’kwana.

Marco Antônio Gonçalves
Professor Titular de Antropologia do Departamento de Antropologia Cultural do IFCS-UFRJ e do Programa de Pós-Graduação em Sociologia e Antropologia da UFRJ. Pesquisador do CNPq. Mestre e Doutor em Antropologia Social pelo Programa Pós-Graduação de Antropologia Social do Museu Nacional-UFRJ. Atua nas áreas de pesquisa sobre Antropologia Visual, Antropologia e Cinema, Cosmologia, Criação de Mundos Culturais e Etnologia Indígena. Coordena o NEXTIMAGEM (Laboratório de Experimentações em Etnografia e  Imagem da UFRJ). Realizou Pós-Doutorado na Universidade de St Andrews e foi Visiting Scholar Senior na New York University, Katholieke Universiteit Leuven (Belgica), Universidade Complutense de Madrid, Ecole des Hautes Etudes en Sciences Sociales de Paris, Sorbonne Université, Université de Nanterre. Atualmente é Editor da Revista Sociologia & Antropologia, PPGSA-UFRJ.

Nina Vincent Lannes
Antropóloga no Instituto do Patrimônio Histórico e Artístico Nacional (IPHAN) da Paraíba. Autora de Paris, Maori - O museu e seus outros. curadoria nativa no Quai Branly (2015). Cientista Social pela UFRJ, mestre e doutora em Antropologia no PPGSA-UFRJ com a tese ARTE, TERRA INDÍGENA. Caminhos e relações da arte indígena contemporânea entre mundos (2021). Co-curadora da exposição Arctic/Amazon: networks of global indigeneity (2022).  Atua também como pesquisadora, professora e curadora independente nas áreas de Antropologia, Antropologia da Arte e dos objetos, Arte indíegna, visualidade, materialidade, museus, curadoria, exposições, arte e ecologia, patrimônio imaterial, cultura popular.

Paula Berbert
Antropóloga e programadora cultural. Faz doutorado no Programa de Pós-graduação em Antropologia da Universidade de São Paulo e coordenadora de projetos da Galeria Jaider Esbell de Arte Indígena Contemporânea. Atua nos campos da curadoria e mediação intercultural, articulando iniciativas de artistas e cineastas indígenas às instituições dos sistemas ocidentais de arte e cinema. Tem experiência em comunidades pedagógicas formais e não-formais, especialmente nos temas da arte-educação e artivismo, dos direitos humanos e socioambientais, questões indígenas e feministas. É graduada em Ciências Sociais (2009, Universidade Estadual de Campinas), mestre em Antropologia (2017, Universidade Federal de Minas Gerais) e especialista em Estudos e Práticas Curatoriais (2019, Fundação Armando Álvares Penteado).

Renata Otto
Graduada em Antropologia pela UFMG, mestre em antropologia social pelo Museu Nacional/UFRJ e doutoranda pelo PPGAS da Universidade de Brasília. Foi técnica em antropologia da FUNAI, onde atuou nas coordenações de delimitação e demarcação de terras; e proteção aos índios isolados e recém contatados. Sua pesquisa de doutorado dedica-se à etnografia da sociedade Awá-Guajá - tupi-guarani, no Estado do Maranhão. Co-dirigiu, com Sueli Maxakali e Isael Maxakali, o filme Quando os Yamiy Vém Dançar Conosco (2012).

Roberto Romero
Doutor em Antropologia Social pelo Museu Nacional (UFRJ) e pesquisador do Núcleo de Antropologia Simétrica (NanSi). É membro da Associação Filmes de Quintal e um dos organizadores do forumdoc.bh - Festival do Filme Documentário e Etnográfico de Belo Horizonte. Co-dirigiu o longa Nũhũ yãgmũ yõg hãm: Essa Terra é Nossa! (2020).

Ruben Caixeta
Antropólogo, professor da Universidade Federal de Minas Gerais, coordenador do Laboratório de Etnologia e do Filme Etnográfico. Realizador de documentários e co-editor da Devires - Revista de Cinema e Humanidades. Compõe a equipe de organização do forumdoc.bh, do qual é co-fundador.

Sérgio Yanomami
Sérgio Yanomami nasceu em casa coletiva próxima à fronteira do Brasil com a Venezuela, na região do rio Pukima, afluente do rio Marauiá no Amazonas, Brasil. Desde jovem acompanha o trabalho de seu pai, respeitado xamã yanomami, e de não-indígenas na assistência à saúde de sua comunidade. Hoje, além de seu trabalho artístico e na área da saúde, trabalha em diversas iniciativas para o fortalecimento de sua cultura entre os jovens das comunidades yanomami de sua região. Vive e trabalha na comunidade Pukima Beira, na região do alto rio Marauiá, Terra Indígena Yanomami, Brasil.

Vincent Carelli
Vincent Carelli, indigenista e cineasta, criou em 1986 o Vídeo nas Aldeias, um projeto a serviço dos projetos políticos e culturais dos índios, e realizou uma série de documentários sobre os impactos deste trabalho. A Arca dos Zo’é recebeu vários prêmios, entre eles nos Festivais de Tóquio e do Cinéma du Réel em Paris, e a trilogia O Espírito da TV, A Arca dos Zo’é e Eu já fui seu Irmão foi exibida por uma série de televisões públicas pelo mundo e no MOMA em NY. Em 1999, Carelli recebe o Prêmio UNESCO pelo respeito à diversidade cultural e pela busca de relações de paz interétnicas, e em 2000, realiza a série "Índios no Brasil" para a TV Escola do Ministério da Educação. Em 2009, a ONG Vídeo nas Aldeias, uma escola de cinema para índios, recebe a “Ordem do Mérito Cultural” do governo brasileiro e o seu filme Corumbiara, sobre o massacre de índios isolados em Rondônia, é o grande vencedor do Festival de Gramado, e de vários festivais nacionais e internacionais. Martírio (2016) é o segundo de uma trilogia, traça o percurso histórico do genocídio Guarani Kaiowa no Mato Grosso do Sul. Em 2017, Carelli recebe o Prêmio Prince Claus nos Países Baixos por sua militância pelo cinema indígena. Em 2021, o filme Adeus, Capitão fecha sua mais recente trilogia.